
Qualquer turista que chegue a Portugal hoje e olhe para os jornais desportivos da montra da tabacaria no aeroporto fica a pensar que os acontecimentos messiânicos do 13 de Maio voltaram a acontecer mas, desta vez, em vez de surgir em cima de uma árvore, a Mãe do Salvador achou por bem improvisar e fazer uma aparição no meio de um campo de futebol. Se tal aconteceu, isso só vem mostrar que a omnipresença do Senhor não é herança da parte materna da família. Se pudesse estar em todo o lado, acho que Nossa Senhora não teria enviado Duarte Gomes abençoar o glorioso no Estádio da Reboleira. Porque aquela grande penalidade inventada aos 91 minutos é, no mínimo, um acto milagroso.
Talvez tenha sido uma forma divina de castigar os ímpios, talvez tenha sido sorte.
A verdade é que o Fátima promete chegar longe. Com um padre como treinador, uma das estrelas a dar pelo nome de Bispo e a jogar a meia dúzia de metros da Cova da Iria, é difícil encontrar uma equipa com mais hipótese de receber ajudas lá de cima. Estes amigos vão fazer da Taça da Liga uma autêntica cruzada.
Avizinham-se mais vitórias abençoadas. Porque se jogar contra 11 já é por vezes tramado, contra 11 e um Messias ainda é pior.