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O problema de expressão

por Inútil, em 20.02.08

Ela - Estás muito calado hoje. Não dizes nada?

Ele - Hum?

Ela - A pensar na morte da bezerra?

Ele - Não, nem por isso.

Ela - Não estou habituada a esta faceta taciturna. Porque é que não desembuchas e dizes o que te vai na cabeça?

Ele - Para te dizer a verdade, estava a pensar no medo que tenho das palavras.

Ela - No medo das palavras?

Ele - Exacto.

Ela - Explica.

Ele - Estás a ver aquele aperto que sentes quando tens algo para dizer a alguém mas não consegues pôr da boca para fora as frases que formulaste interiormente, vezes e vezes sem conta?

Ela - Mais ou menos. Elabora lá melhor essa ideia.

Ele - Há muita coisa importante que fica por dizer, acho que por causa das hipotéticas consequências que daí poderão advir. Não é por falta de palavras, é mesmo por recear expressá-las.

Ela - Hum, estou a perceber.

Ele - Por exemplo, o teu chefe é um trambalazanas e sabes exactamente o que lhe dizer para o pôr no sítio, mas não o fazes com medo de represálias. Existe uma pessoa que significa o mundo para ti, que faz as tuas pernas varejar quando estás na presença dela, mas não lho dizes por medo de a perder de vez ou qualquer coisa do género.

Ela - E não lho dizes porquê?

Ele - Talvez por medo.

Ela - Medo? Medo de quê?

Ele - Não sei. Das palavras. Que ela interprete mal as coisas. De dar um passo em frente e recuar dois. Sei lá.

Ela - Isso é um bocado piegas.

Ele - Estas coisas deviam ser mais simples, como numa canção do Stevie Wonder . Mas toda a gente tem alguma tendência a agravar questões que são de essência simples. E no que toca a este campo especifico, sou rei e senhor.

Ela - E porque é que não deixas de dificultar a situação?

Ele - Por ter medo das palavras.

Ela - E têm vocês a lata de dizer que as mulheres são bichos complicados...

Ele - Muito.

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publicado às 03:58


Irra, que estava complicado!

por Inútil, em 18.02.08

A meras horas do termo do prazo de entrega, acabei finalmente de montar o meu Portfólio.

Apesar de alguns contratempos, já posso respirar de alívio e dizer que estou despachadíssimo, senhores!

Bom... pelo menos até Março.

Agora venha de lá Peniche, venha de lá o Porto, venham de lá essas merecidas férias, gaita!!!

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publicado às 00:44


Uma questão de compras

por Inútil, em 17.02.08

Homens e mulheres são criaturas diferentes.
Especialmente no que toca a comprar roupa.
Um homem quando sai com o objectivo de comprar um par de calças, chega a casa com um par de calças.
Uma mulher quando vai ver de um par de calças, tem de trazer também um top. E um par de sapatos que combine. Ah, e uma malinha, já agora, só mesmo para completar o conjunto.
No fundo, um homem às compras é uma espécie de Jack Bauer.
Tem um missão para cumprir e um curto espaço de tempo para a realizar. Fica totalmente concentrado na tarefa que tem entre mãos, sem nunca se preocupar com alvos secundários.

Já uma mulher ligada em modo "compras" faz mais lembrar o Rambo.
Ao fim e ao cabo, veste a pele do herói solitário, que se embrenha em regiões inóspitas e terrenos perigosos, com o nobre intuito de libertar uma camisola. Mas como pelo caminho encontra inúmeras peças de roupa refugiadas, vitimas do regime tirano do dono da loja, sente a necessidade de as salvar todas e de lhes conceder asilo politico no fundo do seu armário.
Esta metáfora do Rambo ainda se acentua mais num contexto de saldos. Aí, a zona de combate é invadida por centenas de mercenárias, sedentas de sangue, numa fúria desmesurada para resgatar têxteis. É uma sangria desatada. Arma-se um pé de guerra de tal tamanho que faz o Darfur parecer o sítio do pica-pau amarelo.
Obviamente, devem haver excepções à regra. Mas a verdade é que não conheço nenhuma. Apesar de já ter discutido esta paranóia inúmeras vezes com amigas minhas, ainda não consegui compreender muito bem todo esse protocolo.
E dizem-me vocês, "Epá, ò Inútil, aquilo não é paranóia coisa nenhuma".
Tá bem, talvez não seja.  Mas ainda assim, não deixa de ser estranho. Quase tão estranho como aquele outro ritual, de abrir os dois armários repletos de indumentárias que têm no quarto e exclamar "Ah... não tenho nada para vestir!", com um ar ainda mais desamparado que o de um órfão na manhã de Natal.
Não percebo. É isso e o facto do Luís Filipe continuar a ser titular no Glorioso.
Mas isso sou eu.

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publicado às 22:51


Amor calendarizado

por Inútil, em 14.02.08
Nunca compreendi todo aquele aparato que existe em torno do dia dos namorados.
É um dia como os outros, basicamente. Tem tanto jeito festejar o dia 14 de Fevereiro como o 4 de Agosto ou o 12 de Maio.
Não, minto! Há quem tenha plenas razões para comemorar essa data.
Os comerciantes. Mas só esses.
Havendo um relacionamento feliz, acho que faz muito mais sentido fazer de cada dia uma celebração. Não marcá-la no calendário, banalizando ainda mais uma data já de si desprovida de sentido.
E depois há a questão da prenda.
Bolas, não dá um ar mais romântico oferecer algo espontaneamente em vez de ser por imposição de circunstância? Eu acho que sim.
E dizem vocês , "Epá ò Inútil, isso és tu que és um gajo solteiro e não tens preocupações deste género".
E depois? Mesmo se fosse um gajo comprometido, isso não me obrigaria a comportar como um autómato.
Já como reza o Pai Natal, as boas acções são para ser praticadas durante todo o ano e não só em Dezembro.
E mais!
Dia dos namorados ou não, hoje há Benfica.
Jantarinho romântico à luz das velas, até podia haver. Mas com a televisão ligada durante o jogo. Afinal de contas, prioridades são prioridades.
Não há dia de São Comerciante algum que se sobreponha ao Glorioso.

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publicado às 03:53


Uma questão de atendimento

por Inútil, em 13.02.08

Portugal é um país de elevados contrastes.

Noto isso principalmente no que toca ao atendimento a clientes.

E isto porquê? Pus dois rolos a revelar num laboratório de Lisboa na 5ª de manhã. "Ah, isto agora como tem que ir para o Porto está pronto em 48 horas", disse-me a senhora atrás do balcão. Pensei eu, "Tudo bem, 2ª já os tenho na mão".

Fui lá 2ª à noite. Produz-se a seguinte conversa:

 

Inútil - Olá, boa noite. Vim aqui para levantar os dois rolos que deixei na 5ª.

Senhora - Ah, isso ainda não está pronto.

Inútil - Como assim? Não eram 48 horas? Dois dias úteis?

Senhora - Exacto. Amanhã, portanto.

Inútil - Como amanhã? Eu deixei cá isso na 5ª de manhã. 5ª, 6ª e o dia todo de 2ª ultrapassa a larga escala as 48 horas.

Senhora - Pois, mas a sua encomenda só chega amanhã.

Inútil - Mas isso amanhã não me faz falta nenhuma! Eu precisava disso invariavelmente para hoje! Se você me tem dito que eram 72 horas em vez de 48, tinha ido a outro lado para os ter prontos a tempo.

Senhora - Pois, mas agora não se pode fazer nada.

 

Nem um esboço de um pedido de desculpas. E isso irrita-me profundamente.

Quando sou atendido num serviço qualquer não espero ser bajulado e idolatrado como um Deus. Mas espero cortesia e brio profissional.

Atende-se mal a clientela em Portugal. A não ser que o cliente seja um turista carregado com euros a mais na carteira. Porque aí o caso muda de figura.

E depois, temos exactamente o oposto!

O serviço de blogs do Sapo, por exemplo. Poucas vezes fui tratado com tanta simpatia e prestabilidade.

Ajudaram-me a fazer a migração para esta plataforma com celeridade e profissionalismo. E sempre com uma paciência de santo, já que a minha aptidão para informática rivaliza com a aptidão do Luís Filipe para o futebol.

 

 

P.S : Obrigado pela vossa preciosa ajuda,  JonasNuts e Pedro!

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publicado às 18:05


Uma questão de alimento

por Inútil, em 12.02.08

Tenho um amigo que se rendeu aos encantos do vegetarianismo aqui há coisa de dois ou três anos.

Porquê? Basicamente, porque foi convertido pela namorada, uma sacerdotisa do tofu.

"Converter" será mesmo a palavra certa? Para mim, é.

Ao fim e ao cabo, ele abandonou uma religião que praticava há 26 anos para ingressar numa seita alternativa.

E dizem vocês "Epá, ò Inútil, aquilo não é assim tão mau, tens que experimentar".

A questão é que já experimentei. Tentei começar a inserir tofus e sojas no meu regime alimentar, palavra de honra. Mas foi coisa que não pegou.

Só gosto de comer coisas que já tenham tido pais.

E não me venham com a conversa do seitan ser um óptimo substituto da carne. O seitan não sabe a nada. Tem um gosto que anda a meio caminho entre o hambúrguer e a pescada cozida mas não é carne nem é peixe.

Há lá coisa que se assemelhe a um bom bife mal passado, daqueles que quase se ouve "muuu" quando se espeta a faca? Não me parece.

O vegetarianismo é o culto do quase.

Comem-se coisas que quase sabem a comida, que quase agradam ao paladar e que quase deixam um gajo satisfeito.

E no que toca a comida, sou uma pessoa muito zen. Não me satisfaz o quase, só mesmo o tudo.

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publicado às 03:57


Glorioso Haiku

por Inútil, em 10.02.08

Como a história do apelo às forças zen não funcionou da melhor maneira, pode ser que talvez assim a coisa corra melhor. Não custa nada tentar.

 

Campeonato. Já era.

Resta o lúgubre conforto

da Taça.

 

Camacho, não inventes.

O prémio de consolação

Não é ainda certo.

 

Makukula na frente

dinheiro às urtigas

Dois cepos no ataque.

 

Borrão vermelho

na verdura do relvado

é assim, Luís Filipe.

 

O Paços não é mau

Se não se põem a pau

nem a taça levamos.

 

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publicado às 15:39


Tudo aquilo que realmente importa saber

por Inútil, em 09.02.08


E, de repente, a vida passa a fazer mais sentido.

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publicado às 14:53


Duelo ao amanhecer

por Inútil, em 08.02.08
Ele - Bom dia!
Ela - Grunfg ... bom dia...
Ele - Que olheiras! Dormiste mal?
Ela - Mais uma vez...
Ele - Mas porquê? Insónias?
Ela - Nem por isso.
Ele - Então?
Ela - Então? Tu ressonas como uma porca com sinusite, é o que é o então!
Ele - Não ressono nada!
Ela - Tens razão, aquilo não é ressonar. É actividade sísmica.
Ele - Não pode ser assim tão mau...
Ela - Pois não, é pior. Não só ressonas alarvemente como não paras dois minutos quieto.
Ele - Eu?
Ela - Pois, tu! Pareces um salmão a dar ao rabo enquanto sobe o rio.
Ele - Nunca dei por nada, tem graça...
Ela - Vá-se lá saber porquê!
Ele - Não tenho culpa disso!
Ela - Das duas uma: ou passas a dormir no sofá ou arranjas trabalho como padeiro, homem do lixo ou outra coisa qualquer que te ponha fora daqui durante a noite. Porque eu não abdico das minhas 8 horas de sono de beleza.
Ele - Sim, realmente nota-se que não tem andado a surtir lá grande efeito...
Ela - Como é que diz que disse?
Ele - Estava só a referir-me às olheiras!
Ela - ...
Ele - Pareces um irmão metralha, eheheh .
Ela - Outra dessas e eu não vou poder ser considerada responsável pelos meus actos.
Ele - Pronto! Já cá não está quem falou!
Ela - Óptimo.
Ele - Fazemos assim: vou fazer por deixar de ressonar se tu passares a demorar menos que três quartos de hora a tratar da toilette.
Ela - Perdão?
Ele - No que toca a arranjares-te, és uma prima-dona. Chegamos sempre atrasados a todo o lado. Prometo que deixo de ressonar e de me revirar na cama se tu começares a demorar tanto tempo quanto eu a tratar disso.
Ela - Isso não é exactamente justo.
Ele - Porquê?
Ela - Para já, porque eu tenho mais cabelo no rabo de cavalo que tu tens na cabeça inteira. Só isso faz a diferença toda no tempo que dura a levar a cabo a operação "penteadela".
Ele - Uh ... essa do careca foi golpe baixo.
Ela - Bem sei. Mas isto com vocês só resulta quando se malha a quente no orgulho.
Ele - Moral da história, não há acordo possível, não é?
Ela - Pois não.
Ele - Então fica tudo como dantes no quartel de Abrantes?
Ela - Pois fica.
Ele - Fixolas . Então vamos lá embora, meu doce, que já estamos atrasados para ir tomar o pequeno-almoço com eles.
Ela - Ah, ainda me falta escovar o cabelo, escolher a roupa...
Ele - Ufff...

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publicado às 03:11


Mitologia desmistificada

por Inútil, em 07.02.08
UNICóRNIO:

/ adj. | s. m./

Diz-se daquele que só foi encornado uma vez.

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publicado às 14:21



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