
Há uns dias atrás, numa petiscada de final de tarde, conversava com um amigo meu, aficionado convicto, acerca da pretensa virilidade presente na actividade do forcado.
Dizia ele que o forcado é um valente, homem corajoso que encara a morte de frente, tendo ainda a ousadia de a apelidar de "bicho lindo" na maior parte das vezes que o faz.
Uma coisa à macho.
Pessoalmente, discordo desse ponto de vista.
Não consigo encontrar qualquer tipo de virilidade num grupo de homens crescidos que usam calças 3 números abaixo, meias rendilhadas à varina com laçarotes vermelhos no topo, sapatinho de prateleira com atilhos amarelos e que chamam lindo a um bicho másculo de 500 kgs numa pose de Maria Alcoviteira, com perninha chegada à frente e mãozinha na anca.
É rôto.
Aprofundando a questão do forcado, chega-se à conclusão que o maior mártir daqueles intrépidos bezanolas não é o cabo, aquele que dá a cara ao manifesto, mas sim o infeliz que vem logo atrás (salvo erro, designado de 1º ajuda).

O cabo ainda tem a dignidade de um confronto frente-a-frente com o toiro, o 1º ajuda nem isso. Esse tem de se contentar em ver um par de cornos com o rabo do cabo no meio, espetado na sua direcção e o pompom verde do barrete do cabo saltitando para aqui e para ali.
Não sofre o impacto com os cornos de um bicho, mas sim com o rabo de outro. É chato e nem por isso viril.
E nem deve ser preciso falar no belo cenário que é ver o 1º ajuda montado nas traseiras no cabo...