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Manual de etiqueta III

por Inútil, em 28.01.08
A noite já vai longa e avista-se a recta final do festim.
Se tiver seguido à letra as indicações dadas até agora, já não deve precisar de muita ajuda. Mas como o seguro morreu de velho, convém manter o jogo de aparências sem cometer erros desnecessários.
Não está a ver como? Basta recorrer à terceira etapa do plano:

- O final do evento.

Apesar de estar rodeado de nobreza e gente de sangue azul, convém não beber como um rei.
Não abuse dos cocktails.
Se bem que na maior parte das vezes o bar é aberto e as bebidas grátis, uma embriaguez num espaço desses poderá sair-lhe cara.
Beba só um copito. Dois, no máximo. O suficiente para se desinibir e meter conversa com as duas louras espampanantes que estão sentadas ao balcão.
Um whiskie a mais pode fazer toda a diferença entre ser bem sucedido na aproximação ou decorar com um bonito tom verde-vomitado aquele vestido de serapilheira que custou dois ordenados mínimos.
Mas atenção às frases de conquista! Os principiantes nestas lides costumam claudicar nesta fase. Não se esqueça que está a nadar no charco da fina-flor, por isso nada de tiradas à trolha rebarbado.
Não diga coisas como "Se eu fosse uma abelha, polinizava-te toda. É que nem o caule escapava.".
Apesar de ser mais bonito que "ò borracho, queres por cima ou queres por baixo?", continua a ter uma certa ausência de nível.
Mantenha a classe.
A classe e as calças apertadas. Se se tiver empaturrado em acepipes como se a sua vida dependesse disso, resista à tentação de desapertar aquele incómodo botão das calças ou alargar o cinto. Você entrou de fatinho composto. Se alguém o vir a transformar as suas calças numa tenda de campanha, todo o trabalho prévio terá sido em vão.
Falta só discutir o factor saída.
Não seja o primeiro a deixar a festa, mas também não vale a pena ficar até o pessoal da limpeza o convidar a evacuar as instalações.
Estude as pessoas, observe as manadas que entretanto se foram formando.
Há sempre um grupo que se destaca dos outros, uma espécie de elite dentro da elite. Visto que o sucesso deste plano se baseia em aparências, aparente pertencer a esse bando de colunáveis.
Adopte o comportamento deles. Beba o que eles estiverem a beber. Saia quando eles saírem.
Seja um com eles.
Assim, quando os restantes convivas estiverem a falar dessas criaturas apolíneas, estarão igualmente a falar de si e da sua inolvidável presença.
É possível que alguém desse grupo alfa se antecipe, detecte a sua presença e o escorrace a pontapé.
Se tal acontecer, não desespere. Há sempre uma alternativa.
Exactamente, as duas louras espampanantes.
Saia rodeado de duas mulheres lindas e vai ver que a sua história será imortalizada em inúmeras odes, cantadas pelos Homeros do universo socialite.

E pronto!
A partir daqui, as coisas já não pertencem ao meu departamento, não posso ajudar mais.
Volte a ler o manual e tenha confiança em si próprio.
Boa sorte!

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publicado às 22:54


4 comentários

De Inútil a 01.02.2008 às 04:32

Não vejo porquê! Afinal de contas, o mal está na cabeça de quem o vê.

De Leila* a 30.01.2008 às 12:02

Realmente pensei o que a wednesday disse. É porque sair de uma festa com dois "loiros espampanantes" não ia ficar bem a uma mulher.. Acho que estragava toda a etiqueta, e ao contrário dos homens, ia haver falatório, mas não pelas melhores razões, certo?

Kiss**

De Inútil a 29.01.2008 às 14:28

Tens razão, fui um bocado sexista.
Assim, onde se lê "louras espampanantes" é favor ler "Mark Vanderloos Lusitanos".

De wednesday a 29.01.2008 às 14:00

As loiras espampanantes são sem dúvida a cereja em cima do bolo. Agora pergunto, se no caso for uma miúda, sai também com as loiras? Ou isto só foi feito para os homens que têm menos sensibilidade nestas coisas?:P

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