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II - O treinador de bancada

Geralmente de sexo masculino, o treinador de bancada (chamemos-lhe TB, para simplificar as coisas) pode ser habitualmente encontrado num estádio de futebol ou na mesa do café mais próxima da televisão, sempre em dia de jogo da sua equipa.
Em qualquer um dos casos, o TB é fácil de identificar. Seja pela sua constante gritaria ou pelo seu frenético gesticular ofensivo, a sua presença dificilmente passa despercebida.
Durante os noventa minutos que dura a partida, o TB vocifera alarvemente sugestões tácticas para dentro do relvado (ou para o ecrã, se for caso disso), sendo comum ouvi-lo dizer frases como "sai do buraco, porra!", "irra, querem ver que tenho de ir para lá eu para marcarem a porcaria de um golo?" ou "eu quando era mais moço corria mais que esta canalha toda junta, pá!".
Estes chavões variam igualmente consoante o clube pelo qual o TB torce. O TB benfiquista, por exemplo, é célebre por ser capaz de gritar repetidamente desde o primeiro minuto de jogo a frase "Mas 'tás à espera de quê, ò meu palhaço? Fo**-se, mete o Mantorras, car****!".
A quintessência do TB, aquilo que o define e caracteriza, é o seu grau permanente de insatisfação para com a actuação da sua equipa, mesmo em caso de vitória com goleada. Se a equipa ganhar por quatro golos, jogou mal, porque devia ter ganho por cinco. Para o TB, a sua equipa nunca joga suficientemente bem.
Questionar essa insatisfação é pôr em causa os seus ideais tácticos e isso é um erro potencialmente perigoso. O acto de criticar as suas ideias e opiniões despoleta no TB uma fúria imediata, podendo tornar-se agressivo. Os seus pareceres são, na sua opinião, verdades dogmáticas e por isso inquestionáveis.
Todavia, é aí que reside a incoerência do seu estatuto, já que os seus conhecimentos tácticos são frequentemente escassos e/ou duvidosos.
Lamentavelmente, o TB acha que tem sempre razão, julgando-se o dono da suprema verdade futebolística, o que torna deveras difícil a tarefa de conseguir apreciar uma partida de futebol na sua proximidade.
Todo o TB aspira ao reconhecimento mediático e à notoriedade televisiva, tendo como exemplo os casos de sucesso de TB's como Rui Santos ou Miguel Sousa Tavares.

Grau de incómodo - 8,5.
-São uma praga. É impossível assistir a um jogo de futebol ao lado de um exemplar desta espécie em paz e sossego. Se o Dalai Lama viesse até cá, fosse a um estádio ver uma partida e se sentasse ao lado de um TB, não chegava ao fim do jogo sem ter vontade de lhe dar uma valente vergastada no lombo.

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publicado às 14:27


1 comentário

De Piston a 05.09.2007 às 17:07

Apoiado!
Odeio o Rui Santos.

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