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Manual de Etiqueta

por Inútil, em 08.09.14

Foi convidado para um festim de alta sociedade e não sabe como se integrar?
Não desespere.
Seguindo as etapas deste manual de etiqueta, facilmente se tornará no foco das atenções.
Concentremo-nos na primeira:

 


- O pré-evento.

 


Escolha cuidadosamente a sua vestimenta.
Em locais onde a futilidade abunda, a escolha de um bom par de sapatos pode fazer a diferença entre ser o centro das atenções ou passar a noite ostracizado junto à entrada da copa. Evite os berloques a todo o custo. A mesma regra se aplica ao uso de peúgas com raquetes. Totalmente tabu.
Contrariamente ao que se pensa, usar a camisa aberta no peito e ostentar aquele fio de ouro que faria o B.A. Baracus corar de inveja não é de todo uma visão aprazível. Tape-se.
Ou destape-se, caso seja uma fêmea atraente. Um decote generoso, apesar de não ser essencial, garante sempre dezenas de bebidas grátis.
Quanto a jóias, esqueça aquele molho de fios que usava nos seus tempos de pescador de fataças na Nazaré. Opte pela simplicidade. Nada de pins da herbalife.
A componente visual é realmente importante, mas convém não descurar o factor olfacto. A não ser que vá a um banquete organizado pela Dum-Dum, não se besunte da cabeça aos pés em Kouros ou Aramis. Lembre-se, o seu objectivo é atrair pessoas. Não afastá-las ou fazê-las perder os sentidos.
Falemos agora do transporte.
É certo que os buracos que tem no tejadilho da sua 4L lhe proporcionam todas as noites uma fantástica vista do céu estrelado, mas, se quiser ser a estrela do evento, talvez seja melhor optar por um táxi.
E não se esqueça, apesar do 27 parar mesmo à porta do local desejado, chegar a solenidades num transporte público tem tanto charme como uma mosca no nariz de um cão morto.
Se tiver mesmo que ser, saia na paragem anterior e faça o resto do caminho a pé. Não só evita embaraços como ainda passa a imagem de ser amigo do ambiente.

 

 

- No evento.

 


A palavra-chave a reter é calma.
Não se atire à travessa das entradas como o Paulinho Santos se atirava às tíbias adversárias.

É certo e sabido que o primeiro milho é para os pardais e essa regra é de ouro em solenidades com alguma envergadura. A não ser que o seu objectivo seja enfartar-se com folhadinhos de salsicha e pastéis de bacalhau, espere. Os melhores acepipes só passam da copa para a sala depois dos comensais empanturrados.
Ah, nunca se esqueça que não está na Associação Recreativa de Oliveira de Azeméis. Os restantes convivas não irão manifestar grande interesse no prazer da sua companhia se estiver a abrir a boca enquanto mastiga aqueles deliciosos vol-au-vent de salmão.
Por falar nisso, será conveniente limitar o diálogo a conversas mundanas. Ninguém quer saber que o filho da sua vizinha de cima foi apanhado com a baguette em forno alheio.

Ler o jornal no dia da festa é sempre uma forma de estar actualizado e irá garantir temas de conversa suficientemente banais para poder quebrar o gelo.
À falta de notícias, invente uma.

Fale daquele verme recentemente descoberto na Nova Guiné ou dos avanços da medicina no caminho para descobrir a cura para o síndrome de Capgras.

Vai ver que todos o vão acompanhar com o máximo interesse. Afinal de contas, ninguém gosta de passar por ignorante.
Se mesmo assim vir que não é capaz de evitar balbuciar um ou outro disparate, não desespere.

Decore o nome de dois ou três jogadores da antiga selecção da USSR. Se ao dialogar com os indivíduos circundantes meter os pés pelas mão e soltar uma argolada monumental, diga apenas que estava a citar as ideologias de um famoso cientista social dos Urais ou coisa parecida.

Ex:
Você - ...blá blá blá e uma chapadinha de vez em quando nunca matou mulher nenhuma.
Conviva - ...
Você - ... Já assim diziam os Drs Shesternyov e Borodyuk.
Conviva - Quem?
Você - Não conhece?
Conviva - Não estou a ver quem seja...
Você - A sério? São dois famosos sociólogos. Toda a gente minimamente letrada os conhece.
Conviva - Ah sim, esses, claro! Tem toda a razão.

Nestes meios, a ignorância facilmente passa por inteligência quando associada a citações de estudiosos do comportamento humano dos quais nunca ninguém ouviu falar. E quanto mais rocambolesco for o nome, mais culto você fica a parecer.

 

 

- O final do evento.

 


Apesar de estar rodeado de nobreza e gente de sangue azul, convém não beber como se fosse um rei.
Não abuse dos cocktails.
Se bem que na maior parte das vezes o bar é aberto e as bebidas grátis, uma embriaguez num espaço desses poderá sair-lhe cara.
Beba só um copito. Dois, no máximo. O suficiente para se desinibir e meter conversa com as duas louras espampanantes que estão sentadas ao balcão.
Um whiskie a mais pode fazer toda a diferença entre ser bem sucedido na aproximação ou decorar com um bonito tom verde-vomitado aquele vestido de serapilheira do Tenente que custou dois ordenados mínimos.
Muita atenção às frases de conquista! Os principiantes nestas lides costumam claudicar nesta fase. Não se esqueça que está a nadar no charco da fina-flor, por isso nada de tiradas à trolha rebarbado.
Não diga coisas como "Se eu fosse uma abelha, polinizava-te toda. É que nem o caule escapava.".
Apesar de ser mais bonito que "ò borracho, queres por cima ou queres por baixo?", continua a demonstrar uma certa ausência de nível.
Mantenha a classe.
A classe e as calças apertadas. Se se tiver empaturrado em acepipes como se a sua vida dependesse disso, resista à tentação de desapertar aquele incómodo botão das calças ou alargar o cinto. Você entrou de fatinho composto. Se alguém o vir a transformar as suas calças numa tenda de campanha, todo o trabalho prévio terá sido em vão.
Falta só discutir o factor saída.
Não seja o primeiro a deixar a festa, mas também não vale a pena ficar até o pessoal da limpeza o convidar a evacuar as instalações.
Estude as pessoas, observe as manadas que entretanto se foram formando.
Há sempre um grupo que se destaca dos outros, uma espécie de elite dentro da elite. Visto que o sucesso deste plano se baseia em aparências, aparente pertencer a esse bando de colunáveis.
Adopte o comportamento deles. Beba o que eles estiverem a beber. Saia quando eles saírem.
Seja um com eles.
Assim, quando os restantes convivas estiverem a falar dessas criaturas apolíneas, estarão igualmente a falar de si e da sua inolvidável presença.
É possível que alguém desse grupo alfa se antecipe, detecte a sua presença e o escorrace a pontapé.
Se tal acontecer, não desespere. Há sempre uma alternativa.
Exactamente, as duas louras espampanantes que estavam sentadas ao balcão.
Saia rodeado de duas mulheres lindas e vai ver que a sua história será imortalizada em inúmeras odes, cantadas pelos Homeros do universo socialite.

 

 

Em caso de dúvida, repetir o passo adequado. Parece fácil, mas o mais pequeno deslize e poderá garantir a edificação de uma reputação de labrego barraqueiro da qual não se livrará tão facilmente.

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publicado às 20:43


Cavalos de Corrida

por Inútil, em 07.09.14

No próximo dia 5 de Outubro vai ter lugar a edição da Maratona de Lisboa 2014, evento sempre importante no calendário do atletismo nacional.

Este ano, para animar o público, alguém da organização achou que era boa ideia convidar os UHF para darem um concerto no final da prova.

O que é uma asneira.

Porque se o objectivo é bater o recorde da maratona, faria muito mais sentido pô-los a cantar logo no inicio.

Preferencialmente, imediatamente atrás dos últimos participantes, só mesmo para incentivar a malta a correr como se não houvesse amanhã.

Se quiserem que o recorde da prova não seja batido em Lisboa, mas sim dizimado, nada mais fácil.

Metam os UHF num palco móvel. Montado na caixa de uma Toyota Dyna, a fazer de carro vassoura. Até o velhote mais marreco irá fazer o Usain Bolt parecer uma preguiça.

A malta já sabe que para a frente é que é o caminho. Mas um bocadinho de motivação extra nunca fez mal a ninguém.

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publicado às 20:41


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