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A disfunção pública

por Inútil, em 06.08.09

Detesto a função pública. Visceralmente. Principalmente tudo o que é criaturazinha cinzenta e burocrática que vive atrás de um guichet. Quando era pequenino e ainda não compreendia na totalidade as engrenagens que dão mobilidade à sociedade, vivia na ilusão que os funcionários públicos eram assim como que uma espécie de super-heróis, sempre dispostos a contribuir cabalmente para o bem-estar do cidadão.

Era tão tótó, não era?

Obviamente descobri que as coisas são exactamente ao contrário, ao ponto de acreditar com toda a fibra do meu ser que o objectivo de vida daquela gente é encavar à força toda, sem vaselina nem nada, o cidadão comum.

Desde o escriturário das finanças ao recepcionista da escola secundária, gostava que fossem todos assolados por uma praga, algo do género do ébola. Ou então que morassem juntos e a bilha de gás da cozinha deles tivesse uma fuga durante a noite e morressem todos enquanto dormiam, assim enroladinhos e juntinhos, só para ser mais fofinho.

E perguntam vocês, "epá, ò inútil, de onde é que vem essa raiva toda, pá?".

Normalmente, de situações como esta:

 

Inútil - Boa tarde.

Senhora da Secretaria (SS) - Olá.

Inútil - Quero um certificado de habilitações, por favor.

SS - Tem aí a minuta preenchida?

Inútil - Sim, está aqui.

SS - Ok, está tudo em ordem, tem aqui o recibo.

Inútil - Ok...

SS - ...

Inútil - ...

SS - Precisa de mais alguma coisa?

Inútil - Sim, do certificado de habilitações.

SS - Ah, isso só para a semana.

Consciência do Inútil (CI) - Ai, tá o caldo entornado...

Inútil - Como assim? Sempre que vim para cá buscar um, levei-o logo na altura.

SS - Pois, mas a colega que trata disso está de férias e eu não sei mexer no computador.

CI - Ai que caralho, tá tudo fodido!

Inútil - Mas nenhuma das suas colegas sabe? É que eu preciso disso para hoje.

SS - Não. Temos de ir ver as notas e batê-las à máquina. Hoje não dá.

CI - À máquina, caralho? Mas que merda é esta? Vá, apanharam-me, onde é que estão as câmaras?

Inútil - Então e agora?

SS - Agora tem de esperar uns dias.

CI - Ò meu cagalhão com pernas, eu volto cá daqui a uns dias mas é para te fazer comer o certificado à chapada.

Inútil - Pois, que remédio... obrigado pela atenção.

SS - Próximo!

CI - Quenga...

 

E isto fode-me o juízo porquê? Basicamente, porque sou eu que ando a pagar o salário àquela jamanta analfabeta. Mas ao contrário de qualquer outro patrão no mundo inteiro, não posso despedir a malta a quem pago ordenado. Nem um processo disciplinar, uma chapadinha nas mãos, nada. Se quiser exprimir o meu desagrado, o máximo que posso fazer é peidar-me à frente do balcão dela. E isso é desmoralizador.

Isso e chegar a casa, ver o João Baião aos pulos na RTP, no programa da Festa da Volta e pensar "Olha... está ali o meu IRS do ano passado! Parece que fica melhor vestido de amarelo"...

Evasão fiscal não devia ser crime, devia ser dever cívico.

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Ca...

por Inútil, em 04.08.09

 

...gões.

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