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Referenda-mos

por Inútil, em 06.01.10

A plataforma Cidadania e Casamento entregou na Assembleia da República uma petição para decidir em referendo a sorte do casório gay em Portugal. Em primeiro lugar, há que realçar o nome desta massa associativa. Cidadania e Casamento. É inteligente diferenciar os dois termos e apresentá-los isoladamente porque se há coisa que a história matrimonial portuguesa nos tem ensinado é que a cidadania no casamento se reflecte no número de cintadas aplicadas pelos maridos nas respectivas. Se esta petição surtir o efeito desejado, prevejo que num futuro próximo a mesma plataforma entregará uma petição com vista a legalizar a violência doméstica. Só mesmo para manter a tradição, porque isto de uma sociedade sem valores não tem graça nenhuma.  

E dizem vocês "epá, ò Inútil, não gozes com coisas sérias porque isto da violência doméstica é um flagelo". Têm toda a razão. Acho até que esse devia ser um dos argumentos principais a favor da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Um bate-chapas balofo não sentirá tanta motivação para desancar outro bate-chapas balofo como teria para dar traulitada numa simpática senhora de metro e meio. Só vantagens.

Agora mais a sério, não consigo compreender todo este aparato em relação ao casamento homossexual. Dizem os aspirantes a pastorinhos de Fátima que é contra a ordem natural das coisas e Deus não criou o mundo assim. Pois não. Criou como? Meteu lá o Adão, a Eva e a cobra. Se eu fosse o Adão e tivesse de escolher entre uma Eva e uma serpente, não ia ter muita margem de manobra, pois não? Até porque a serpente era capaz de não estar para aí virada e o 112 ao sétimo dia ainda não tinha sido inventado. Imaginemos que aquilo no paraíso era Adão, Eva e Osvaldo. Quem é que nos garante que, havendo mais opções, Adão não ia dar numa de carinho masculino? Não sabemos, pois é...

Tudo isto para dizer que quando se fala de alguma liberdade humana capaz de causar comichão aos velhos do Restelo da sociedade, é logo de referendo para cima. O referendo está para estes comichosos como o panadol está para os hipocondríacos, qualquer dorzinha de nada e é logo pimbas, bota abaixo. É um exagero, senhores.

Mais dramático que o casamento gay foi a decisão do Parlamento de aprovar o diploma para limitar a quantidade de sal no pão. Isso sim, foi chato! Isso sim, foi contranatura! Mas aí já não se lembraram de criar a plataforma Cidadania e Pão à Antiga nem de recolher assinaturas para uma petição como esta, não é? Mas deviam! Quanto mais não seja, por uma questão de coerência. Porque pão sem sal é do mais roto que pode haver.

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publicado às 17:57



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