Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

Sonho de uma noite de Verão

Entras pela porta dentro em mais uma noite banal e pedes outra cerveja que bebes num trago na esperança de ajudar a esquecer mais um dia totalmente rotineiro até que a vês primeiro de relance depois fazendo um esforço hercúleo para conseguir tirar os olhos de cima dela não sabes bem porquê talvez por ser bonita talvez por te parecer o oposto do teu quotidiano trivial e maçudo e te conseguir transportar para uma outra dimensão com um simples esboçar de um sorriso que te faz esquecer que a vida é um elemento condutor de tristeza e decides ir falar com ela acerca de tudo acerca de nada acerca de disparates e coisas sem significância que têm a maior importância do mundo e descobres que ela é a tal a mulher por quem tens estado à espera a pessoa cuja companhia não dispensas e para quem tens sempre tempo tens sempre rede tens sempre atenção só não tens modo de lhe dizer isso mesmo por medo de perder a visão daquele tal sorriso inspirador por isso ficas calado mas só por fora porque por dentro gritas a plenos pulmões e cada mais pequena célula tua cada parcela do teu ser te compele a dizer o que te assusta e exorcizares os teus medos independentemente das consequências do acto e aí falas abertamente expões-te como nunca o havias feito antes e sentes o estômago aos pulos entras em curto-circuito e sentes o cérebro a derreter porque ali não há espaço para a razão só mesmo para ela e para a resposta que esperas um sim que supera o Euromilhões o Benfica campeão europeu tudo e mais um par de botas ou um não que sabe a angústia desmoralizador que te suga a vida até ao tutano.

E aí acordas e vês que estavas a sonhar. Levantas-te e deixas tudo começar outra vez.
publicado por Inútil às 20:52
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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011

Pode sempre ser pior

Ele: Já não sei o que faça à minha vida. Tudo se desmancha, tudo vai caindo aos pedaços...

 

Ela: Pobrezinho... desgosto amoroso?

 

Ele: Não. Lepra.

publicado por Inútil às 19:58
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

Dos Zombies

Confesso que "The Walking Dead" é das minhas séries favoritas do momento.

Dramas pessoais, Zombies esfomeados e a miúda do "Prison Break".

Como uma refeição cozinhada à perfeição, tem todos os condimentos necessários e em dose perfeitamente guarnecida.

 

Só me suscita uma dúvida.

 

Um Zombie que se alimente de alguém em coma profundo ou com uma grave lesão cerebral, é um Zombie vegetariano?

publicado por Inútil às 21:57
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

Sugestão

Devidamente encaminhada para o respectivo departamento dentro do site do Sport Lisboa e Benfica.

 

Passo a citar: 

 

Exmos Srs.

O Meu nome é **** ******** (Inútil, vá) e sou sócio desta Gloriosa Instituição que é o Benfica.

Aquilo que me leva a escrever-vos passa pelo que de seguida vos apresento.

Vou ao Estádio da Luz desde 1994.

Feito inglório para uns, mas a ter em vista tendo em conta que nasci em Dezembro de 1981.

Vi a melhor e a pior face do meu clube, sem nunca deixar de ir ao Estádio da Luz apoiar a minha equipa.

Desde que conheço a Instituição Benfica, assisti a inúmeras alterações.

Não só de plantel mas igualmente em termos de equipamento, estádio e transfigurações de politica interna dentro do próprio clube.

E isto leva-me a inquirir o seguinte.

O equipamento alternativo do Benfica sempre foi o branco, equipamento com o qual disputámos duas finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus e uma final da Taça Uefa.

Jogadores, Treinadores e Presidentes vivem numa permanente troca de cadeiras, sobressaltos e transferências que invalidam um factor minimamente identificativo com o clube.


Ora, dentro dessa perspectiva de mudança, não seria já tempo de alterar a estrofe, que nosso hino, glorifica as "papoilas saltitantes"?

 

Vivemos numa sociedade em mudança, onde frases inocentes são frequentemente vistas como exemplos de jocosidade e falta de virilidade.

Onde a falta de exemplos másculos, de homens à antiga, qual Cosme Damião, nos levam a idolatrar falsos profetas e olvidar valores morais.

 

 

Confesso.

Em jogos importantes, só me dá alegria invocar essa velha estrofe nas competições Europeias.

Porque os adversários não falam Português.

Digo novamente, vivemos numa sociedade em perpétua mudança.

Porque não mudar uma simples frase num hino que em nada vai alterar a grandiosidade de um clube.



Confesso.

Sentir-me-ia particularmente mais confiante na recepção a qualquer outro clube se exaltasse a algo como "que nos campos a vibrar, são tomates pujantes".

 

 

Tomates Pujantes.



É ou não uma sentença mais máscula, mais viril, mais rebuscada ao espírito operário adjacente à fundação deste nosso clube?

Cosme Damião iria concordar comigo.

Deixo ao vosso critério a minha sugestão.

Atentamente


**** ******* (Inútil, vá)

 

 

Fim de Citação

 

 

 

Esperemos uma resposta dos orgãos correspondentes agora.

publicado por Inútil às 00:33
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Domingo, 9 de Outubro de 2011

Era uma vez na Madeira

A Comissão Nacional de Eleições detectou irregularidades nas Eleições Legislativas Regionais na Madeira.

 

Aparentemente, Alberto João Jardim não estava embriagado.

publicado por Inútil às 20:37
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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

Uma questão de engate

O engate é uma ciência.

Pejada de técnicos ornamentados de um léxico próprio e de executantes capazes de espalhar magia com um simples acentuar de sobrancelha.

Autênticos heróis boémios.

Lamentavelmente, não sou um deles.

Devido a exemplos como o seguinte:

Cenário: 6ª feira, noite amena, aura festiva no miradouro de São Pedro de Alcântara em Lisboa, em pleno Bairro Alto, pós empate do Benfica no Dragão.

Intervenientes: o próprio, um amigo e duas turistas norte-americanas.

A intriga: Dois amigos em plena cavaqueira acerca das opções técnicas de Jesus, ao que chega uma turista, de seu nome Jen, e crava um cigarro. Obviamente ébria, toma a iniciativa de fazer diálogo com os cavalheiros, ao que estes respondem de forma particularmente amistosa. Havia uma outra amiga, Tracy, que, paralelamente a esta conversa a três, tentava a sua sorte com um transeunte alheio aos demais.

Jen, francamente sociável, começou a indagar acerca dos nossos gostos fílmicos. Responde o amigo do Inútil, de forma ora inocente, ora labrega, "Titanic".

Gargalhada geral.

O amigo apercebe-se da falácia e tenta remediar com um contundente "mas também gostei muito do Armaggedon".

Silêncio sepulcral.

Nisto apercebo-me: "Não. Pelo cinema não vamos lá".

Tema óbvio de conversa no seguimento desta asneirada, Obama.

"What do you think of Obama?", diz ela, plena de consciência que eu ia dizer que era bué da fixe ter um Presidente que também poderia ser o Rei do Munhango.

Mas não.

Aqui o campeão ainda não havia percebido que se havia tratado de engate, simplesmente, nem depois de ter sido avisado pelas próprias que só estariam em Lisboa aquela noite e não mais voltariam e que o objectivo da investida seria muito Cindy Lauperiano, pois "Girls just want to have fun".

E toca de "as próximas eleições presidenciais nos States serão as primeiras do pós 9/11 em que o principal ponto a ser discutido será a politica interna em vez de objectivos geoestratégicos e a guerra ao terrorismo".

"Hã?" generalizado. Meu Deus, elas não querem engatar o Vasco Pulido Valente, penso eu! "Vamos falar de música".

"What do you like?", pergunto eu, ao que a Jen, inocentemente retorque "Jimmy Eat's World".

"Yes, but what about non hillbilly music?" seria a resposta a não ser usada.

Todavia, saiu.

Adiante.

Tracy, saturada de tantos rodriguinhos por parte do outro, volta para o prazer da nossa hospitaleira companhia.

Mais dez minutos de conversa para aqui e outros dez para ali.

Ainda mais saturada, pronta para acção, Tracy remata com um insinuante "bem, secalhar está na hora de voltarmos para o quarto de hotel e ir ter com o meu dildo...", soltando ao mesmo tempo olhares lascivos para nós os dois.

Olhinhos à campeão, um revirar de pestana, um sorriso malicioso no canto dos lábios e sabiamente respondo "e a bateria, tá carregada?".

Pimbas!

Primeiro cartão amarelo da noite. Uma entrada a pés juntos que faria inveja ao Paulinho Santos e inúmeros insultos a mim próprio ecoando no vazio da minha cavidade cerebral.

Trinta mil respostas diferentes que poderiam ter sido empregues, mas não. "E a bateria, tá carregada?".

Infeliz, chamemos-lhe.

Criticas à parte, há que admitir que as senhoras foram simpáticas. Ofertaram-nas com uma segunda abébia.

"We just got out of our hotel, in Marquês Pombal, Dom Carlos, and we don't know how to get there".

Maravilha, pensam vocês!!! A coisa vai-se dar!!!

Mas não, histórias destas raramente acabam com um final feliz... 

"Não sabem onde é?", inquiro eu. "Não há problema, contem connosco!!! Então é assim, vão para o outro lado da rua e apanham lá um taxi, mas dizem ao senhor que querem ir to the Marques de Pombal by Rato, ok?!?".

Confesso que foram poucas as vezes na vida em que vi semelhante semblante de desilusão.

Tanto delas, como do meu amigo, que não possui um elevado domínio do inglês como o vosso amigo Inútil. Não sabia o que dizer mas deu para conseguir perceber que estava a perder uma noite impagável devido a dois falhanços à Isaías da minha parte...

 


Confesso que tenho três atenuantes a meu favor, que podem, de uma forma ou outra, ajudar a explicar este comportamento vergonhoso:

 

1) estava ligeiramente embriagado.

 

2) o ponto anterior levou-me a não formular ideias em inglês na perfeição.

 

3) nunca, em tempo algum na vida, esperaria apanhar uma borla daquelas.

 

Servirá isto de justificação?

Não sei.

Deixem-me só ir ali fustigar as costas mais três ou quatro vezes e já falamos.

publicado por Inútil às 23:01
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Sábado, 3 de Setembro de 2011

Breve Haiku Sazonal

Chove muito na rua


Mendigos banham-se forçosamente


Usarão champô?

publicado por Inútil às 17:30
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

E é por isto que tão depressa um artista português não irá ganhar um grammy

Agora a sério... "José Malhoa is in da house"?!?
E que aldeia é esta, a de José Malhoa, onde naquela noite é só cu duro? Ficamos sem perceber onde é, só que há todo um surto de prisão de ventre a assolar os autóctones.
Poderemos intuir que essa mesma aldeia é algures na margem sul, pois mesmo no final, quando José Malhoa, num misto de emigrante vindo da Suíça com violador das moitas se oferece para dar boleia a uma pedestre, que o realizador do videoclip, inocentemente, tenta afastar da imagem de profissional do amor (sem sucesso), não deixa de ficar no ar a ideia que esta história se passa ali para os lados da recta da Coina.
Tudo isto acaba por resultar numa bonita imagem, própria de um arrebatador postal turístico, numa heterogénea ode ao amor e à obstipação, só estragada pelo conceito capilar de José Malhoa, que prova ser adepto da escola do "sou careca, mas se puxar o cabelo para a frente, pode ser que ninguém repare".
Não, José. As pessoas reparam. Reparam muito. E essa clareira na nuca à Frei Tuck não ajuda pevides.
Vai por mim, que eu sei.
publicado por Inútil às 19:38
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Domingo, 24 de Julho de 2011

O encalhado

Ele - Comporto-me como uma autêntica gaja nos casamentos.

Ela - Então? Choras na cerimónia?

Ele - Não, pergunto-me sempre quando é que chega a minha vez.

publicado por Inútil às 21:56
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Sábado, 23 de Julho de 2011

Ainda a propósito do que disse atrás

Nolito pode ser o melhor reforço do Benfica, mas é também aquele que tem o nome mais abichanado.

Porque um Nolito não é um jogador de futebol profissional.

É uma actividade laboral de uma prostituta espanhola.

"Mira tio, quieres un Nolito? 30€.". Pimbas.

publicado por Inútil às 00:00
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